quinta-feira, 24 de julho de 2014

quarta-feira, 23 de julho de 2014




Naquele dia nada estava prestes a mudar. Na realidade, mudança nunca foi o grande foco da vida de Francis. Ele já tinha se acostumado com a mesmice daquela cidade que há poucos meses o havia acolhido. Sua casa era pequena, fachada branca, havia um frontão de inspiração colonial com um azulejo da imagem de nossa senhora, muito comum naquela região do subúrbio. Francis odiava aquele piso de azulejo cor de barro que para ele transmitia sujeira, e outras provocava-lhe feridas pelas rachaduras feitas pelo tempo que possuíam. Nunca mencionou, mas achava que aquela casa era mais velha que sua vó Joana. Francis nunca se importava demais com um determinado assunto, no fim de alguma discussão ele sempre soltava a palavra "banalidade" com um gesto de que não se importava no fim das contas. Era seu bordão. No momento, estava pensando se poderia existir homens da espessura de uma agulha, e se eles estariam vivendo ali em algum canto. Provavelmente não, pois seriam devorados pelos insetos. Porém, eles poderiam ser inteligentes a ponto de domá-los e usarem isso a seu favor. Quando terminou de passar o café, já havia esquecido dessa ideia. Sempre fora assim desde criança. Fazia mini roteiros de inúmeras possibilidades. Na infância, foi colocado na catequese por insistência de sua avó, sua mãe concordara embora não fosse religiosa, mas era uma forma de ter algumas horas livre dos meninos. Durante os ensinamentos, Francis preferia fazer rabiscos em sua carteira de animais e lhe dar nomes humanos. Sua madrinha dizia que ele não tinha jeito. Era um herege. Havia 10 anos. Ele nunca foi apegado à religião, embora falasse que acreditava em deus. Aos 19 anos, conheceu uma menina cujo o pai era evangélico e faziam questão que ele frequentasse a igreja deles, como assim diziam. Foi aí que ele percebeu que nunca fora escolhido, tampouco era especial como os cristãos se autodenominavam. Por que cargas d'aguas deus iriam me escolher se eu nem gosto de trajar ternos? Havia muitas questões e poucas respostas, mas logo eram esquecidas. Às vezes ele achava que havia um louco habitando sua mente que o fazia esquecer. Esse louco não era daqui, pensava ele. Nenhum humano tinha a capacidade de invadir a mente de outro, se não estaríamos extintos. É melhor assistir um pouco de TV, antes de sair para sua inglória rotina, pensou. Rotina que até então não lhe causava incomodo, até certo dia.

domingo, 20 de julho de 2014

apenas para complementar a ideia do post anterior:

"As long as you don't chooseeverything remains possible"


Mr. Nobody


semi nua

Eu queria falar sobre algo que vem acontecendo comigo ultimamente em relação à espiritualidade que tem ocupado bastante minha mente, mas deixarei pra outro momento. Depois de algumas semanas sem escrever, retornei ao blog e reli meus antigos textos. Não sei descrever a sensação. Não há vergonha, há um pouco de orgulho. Estou me permitindo mudar, crescer, renovar. Eu ainda não tenho todas as respostas que eu gostaria de ter. Meu futuro é incerto. Ainda não há muitas decisões feitas, mas creio que as mais importantes foram feitas internamente. Depois de meses nessa fase obscura, gastando todas as energias com situações que não me trariam nenhum retorno, eu parei de maltratar à mim mesma. Eu não preciso carregar fardos que não são meus. Eu não preciso que ninguém seja meu vilão. Não quero dramas. A vida que me privilegia é a mesma que me põe pra baixo. Eu não posso controlar as coisas que acontecem comigo mas posso controlar a intensidade que isso me afeta. E sem querer comentar porém já o fazendo, acredito que nosso espírito, alma ou mente, como deseja chamar, tem que está em equilíbrio. Se apegue a algo, verdadeiramente. Existem tantas coisas superficiais que tomam conta de nós e levamos isso como se fosse o centro da nossa vida. Por que não fazer algo para mim?
Eu preciso viver. Eu preciso arriscar. Eu tenho sede de mudança, a mesmisse me adoece. Adoece minha alma.
Quem diria que aquela Izabela que saiu de Belém há 5 anos atrás é a mesma que já pensou em voltar? As coisas mudam muito rápido.
Eu quero mudanças bruscas mas admito que não sei por onde começar. Talvez um dia eu queira sossegar, talvez. E mude de pensamento. E queira uma vida comum como a de todos. Não tenho medo de mudanças. A única coisa que tenho medo é de parar de sonhar. Definitivamente o pior dos pesadelos, talvez só comparado ao vórtex de perspectiva total.
Não quero todas as respostas. Quero meios. Quero sorrisos verdadeiros e mais simplicidade. Quero me sentir insatisfeita para ter o que buscar. O que não pode acontecer é deixar de acreditar.

domingo, 1 de junho de 2014

Nova perspectiva


Lá estava eu no ponto de ônibus, numa manhã de domingo ensolarada. 
Eu poderia estar dormindo
Poderia, mas não deveria
Nem queria
O clima estava agradável, até para um passeio.
Passam todos os ônibus, menos o meu. Eu não me incomodo. Volto a pensar que o dia realmente está bonito para um passeio. Quanto tempo eu não sentia isso? Sei lá, muito.
Pela primeira vez em pelo menos dois anos não estou detestando andar por Niterói. 
Há poucas pessoas na rua. 
Pego o ônibus vermelhinho, mas dessa vez o destino era a praia vermelha.
Sinto o cheiro de orla. Boas lembranças. A existência é mesmo uma coisa estranha. Chego no meu destino e havia mais gente do que eu esperava. Sentei-me no chão mesmo, e contemplei a paisagem pela primeira vez naquele lugar. Paz.
Eu estou me sentindo bem, verdadeiramente. 
Sinto que eu posso tomar as rédeas da minha própria vida. Sigo meu ritmo. Esqueço o passado. Eu havia me libertado da mais doce solidão.
Reconciliar? Reatar? Refazer? Renascer.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A incrível história de duas meninas que não por acaso são gêmeas (e não idênticas)



Vou contar a história de duas meninas brilhantes que não por acaso nasceram gêmeas, mas antes vou contar como minha vidinha cruzou a linha de destino dessas duas meninas, que mais uma vez, não por acaso, nasceram gêmeas. Um conjunto de aleatoriedades e casos nonsenses nos trazem até aqui, tão perfeitamente arquitetados que me questiono sobre a existência de um verdadeiro ka.
Quando eu tinha 12 anos mudei para uma escola totalmente diferente. Não havia pátios enormes, o uniforme havia um cor estranha e os amigos já não eram mais os mesmos. Passei meses culpando meus pais pela minha infelicidade e por muito tempo minha única vontade era de voltar para a minha antiga e amada escola. Que tolinha. Mal eu poderia desconfiar que aquele lugar me daria de presente as mais importantes pessoas.
Eu achei o meu ka-tet.
Quando a professora de matemática disse que havia quatro irmãs gêmeas na sala eu fiquei procurando onde diabos estavam as outras duas porque eu não achava de jeito nenhum. Só então eu percebi duas pequenas, bem pequenas, pessoas parecidas, porém não tanto. Fui pra casa e contei desse fato aos meus pais, haviam quatro gêmeas e duas não eram idênticas. Contei também que não sabia distinguir as outras gêmeas, mas distinguir Laisa de Louise era fácil pois uma era mais gordinha (desculpa Lou, pela referência). Apesar delas não serem idênticas, comentem algumas gemialidades, que por hora podem deixar algumas pessoas afetadas, como atendentes de fast-food. Então, por favor, se você é um atendente tenha paciência caso cruzem com as duas ao mesmo tempo, pois provavelmente elas estarão usando óculos iguais e all-star para deixarem os desatentos ainda mais confusos. São 01:29 e eu preciso terminar esse texto até as 6:00 pois vocês sabem, o dia será longo amanhã e não haverá ovomaltines para me salvar.


O tempo passou e eu não sofri calada, ao contrário, me senti parte daquele círculo que criamos e cada semana que passava ficava mais fácil esquecer a antiga escola. Aquele vínculo se fortalecia. No meio de fanfics, fake, bandas, guitar hero, e conversas intermináveis de intervalos, fomos criando uma identidade que nos permitiu ser o que somos hoje. Não saberia explicar essa ligação, se isso foi algo construído por nós ou já estava pré-determinado em algum momento ou lugar do espaço-tempo. No one knows.
As cartas se embaralham
Eu fui embora
A dor da separação, a saudade, a raiva, a saudade outra vez. Muitos sentimentos que não cessavam. Tudo ao mesmo tempo acontecendo. Estaria eu vivendo a darkest timeline? Eu não teria como saber. Porém, apesar da situação vocês me ajudaram a me manter firme. Deus, o que foi aquela amostra de Got que vocês me mandaram em forma de carta? Foi a coisa mais incrível que eu recebi. Abri a caixa para ler outro dia e apenas miniaturas de baldes de diversas cores saiam pelos cantos dos meus olhos... me perdoem, mas a partir de agora o texto (pode) ficar piegas.
Mas antes de dizer como eu me sinto em relação a tudo isso vou mostrar algumas coisas interessantes e cômicas que me fizeram dar boas risadas. Vamos começar pelo gráfico de lerdeza que Laisa insiste desde always -de uma forma forçada-, mostrar que eu sou mais lerda que ela. Nem que essa uma diferença seja de 2%.
É FAKE, como vocês podem ver as informações foram manipuladas

laisa escrevendo para ela própria

quando eu vi essa planta baixa pensei MEU DEUS UM DIA SEREI ARQUITETA



Se eu tivesse respondido a carta com certeza teria escrito coisas lindas. Mas graças a deus, Luciamo me ajudou a voltar para minha terra.
Continuando a história das duas meninas incríveis que nascerem gêmeas porém não idênticas, gostaria de ressaltar como as vi crescerem. Pode parece clichê, mas qualquer pessoa que estava dentro ou fora do nosso círculo de amizade viam que elas brilhavam. Essa(s) menina(s) vai(o) longe. E irão. Há uns dias essas meninas não podiam viajar com gente de all-star, e amanhã estarão nos EUA mostrando que: we can do it! 
São 03:09 e eu não disse nem metade do que estava em mente. Continuando a falar sobre saudade, bem, eu não gosto de falar sobre saudade. Sinto que as duas meninas gêmeas não-idênticas continuarão aqui, perto de mim. A ficha não caiu. Ainda penso no futuro próximo como se elas fossem fazer parte... mini baldes começam a se formar no canto dos meus olhos. Eu avisei que poderia ficar piegas.
Por um outro lado tento ver apenas o lado positivo, que um ano passará rápido (será?) e que em breve todas nós estaremos unidas novamente. Dessa vez é diferente, há um propósito. Eu vou me fazer de durona até o fim e fingir que isso não me afeta porque esse é meu jeito, mas é inegável que a saudade vai bater e eu tô sofrendo antecipadamente, bjs. Vou deixar uma selfie minha fazendo papel de trouxa pra vocês se lembrarem de mim sempre (caso esquecem, é só se olharem no espelho EUHSUH). Tenho que rir pra não chorar mais aqui e são 03:35 I NEED SLEEP.
Vou sentir falta de implicar com vocês
Vou sentir falta das pérolas de Laisa (iza, seu dedo tá na mão)
Não vou sentir falta de vocês cantando 
Enfim, vou sentir falta companhia de vocês, girls. E meu último recadinho que deixo pra vocês é  "Follow through /Make your dreams come true/ Don't give up the fight /You will be alright 'cause there's no one like you in the universe/ Don't be afraid of whatyou're mind conceals /You should make a stand/ Stand up for what you believe/ andtonight we can truly say together we're invincible" :') 
Parabéns, vocês são foda. Minhas ídolas vivas. E não importa o que aconteça, sempre lembrem o que diz na capa no guia do mochileiro das galáxias em letras garrafais. 
ps1: ignorem todos os erros não tive tempo de revisar
ps2: to com sono
ps3: queria escrever mais porém o tempo não está a meu favor 
ps123: mores, amo vcs DUM jeito, nunca se esqueçam disso

me despeço com essa foto de Louise em seu estado normal

Obrigada por todas as memórias. 
Att, a mais fofa
Eu





quarta-feira, 7 de maio de 2014

Carta de redenção (para mim)


Quando eu te vi pela primeira vez você usava uma blusa do lanterna verde, não por acaso a mesma blusa que você usou quando me viu pela primeira vez também. A tão clichê blusa do lanterna verde que junto com outras cinco fazem sua coleção de camisas um armário da Mônica. Então, em meio daquele caos de pessoas apressadas no centro de Niterói, nunca me passaria pela cabeça que aquela pessoa familiar seria meu primeiro grande erro.
Mas também seria a primeira que eu amaria.
E mesmo que algumas pessoas digam que eu estava equivocada em relação ao que eu sentia, eu digo que amei cada encontro que fui a você. Amava seu riso, seu sorriso, sua feição meio marolada, seus olhos desleixados, seu cabelo que espetava quando eu mexia e você odiava. Suas brincadeiras impertinentes. Seu perfume que minha mãe detestava. Amava quando você falava demais sobre um determinado assunto que eu aparentemente não me interessava, e eu apoiava a mão no queixo e fazia cara de buldogue, assim meio blasé, mas no fundo queria apenas te escutar. Amava quando você adormecia e a única coisa que me fazia bem naquele momento era observar você. Não importava como, você estava ali pra mim. Essa última sentença é tão comum porém tão verdadeira quanto o que eu sentia em sua presença.
Fomos rápidos demais.
Você concordou, eu concordei. Eu senti medo.
Medo de um sentimento que eu não sabia explicar de forma racional. Você sempre soube que eu não romantizava as coisas e tenho a inconveniente mania de buscar explicação para tudo. Só que não existiam respostas, não para nós. Todas as experiencias passadas de outras pessoas diziam que isso que a gente tinha não daria certo, por que com a gente daria? mas você me fez prometer, naquele dia, aqui em casa, que eu não deixaria você nunca. E eu perguntava "por que isso iria acontecer?", você sorria com o canto boca, meio cabisbaixo e dizia "não sei".
Porém, uma voz na minha cabeça dizia que um dia aquilo tudo acabaria. Nós acabaríamos. Esse mesmo "nós" que nunca existiu mas ao mesmo tempo estava presente enquanto estávamos juntos. Eu sempre soube que você seria o primeiro a abandonar o barco, só não imaginava que seria tão repentino. Achei que existiria aquele momento de aceitação, que eu deixaria você ir porque é o justo. Nunca quis cobrar nada de você - além da verdade -, porque tanto eu quanto você somos livres pra fazer nossa escolha. E nossos caminhos traçariam caminhos diferentes, como o destino quisesse que fosse.
Eu me mostrei vulnerável pra você. Tu me conheceste da forma mais crua e nua...
Só que na minha realidade inventada você nunca seria capaz de quebrar meu coração.
Você o fez.
Quando você partiu meu coração estava remendando o seu? Achou mesmo que todo aquele muro de concreto que eu mesma criei duraria pra sempre?

Não quero respostas.
Nosso tempo acabou.

Eu não quero te culpar. Não quero sentir raiva. Qualquer sentimento em relação a você me faz sentir uma tola. Só peço a mim que chegue logo a fase em que eu tiro uma lição de moral dos tropeços da vida. Quem sabe assim eu não olho pra trás e lembro com um meio sorriso dos momentos engraçados que passamos. A indiferença finalmente já pode tomar o meu lugar.