Talvez a única coisa que eu tenha mais dificuldade do que
começar algo é terminar algo. É isso que os procrastinadores fazem. Porém, até
que ponto esse desânimo das coisas pode ser considerada normal? Outras
pessoas dirão que é comum em alguma fase da vida se sentir desmotivado, e que
em algum momento você vai se perguntar “what the hell I’m doing here?” e o resto da música vocês já conhecem... Eu
escrevo e apago demais. Assim quando estou desenhando eu uso de forma exagerada
a borracha. É uma mania. Um erro. É preciso se permitir errar, e eu levei muito
tempo pra aceitar isso. Muito tempo pra aceitar que as pessoas erram, é algo
natural, e que as pessoas não vão cumprir suas expectativas então nunca crie
sobre elas. Seja pessimista sempre, assim você nunca será frustrado. Faça as
coisa do jeito que as pessoas esperam. Seja competitivo. Mas só tente se tiver
a certeza que não irá falhar.
Eu estava virando um robô
(mas afinal, ser um robô é ruim?)
Depende. Pra você pode ser ótimo. Viver de
uma forma a sentir o mínimo de emoções possíveis. Tudo é previsível. Deu certo?
Bom. Não deu? Eu já sabia. Não
há alarmes, não há surpresas.
(mas as outras pessoas o que elas pensam
sobre isso?)
Aí meu amigo, as coisas podem ficar mais
complicadas. Principalmente quando se é introspectivo. Até os robôzinhos em
filmes de ficção científica podem ter sentimentos, afinal, por que só os
humanos tem o direito de sentir algo? Um pouco presunçoso isso de monopolizar
os sentimentos pra si. Desde quando “humano” virou sinônimo de adjetivo?
Estou mudando completamente o foco do assunto que comecei. Sim, farei isso
constantemente.
Vamos falar sobre o Bob. Ser uma esponja não é fácil,
principalmente quando você tem tendência a negativar as coisas. Por um outro
lado, nós absorvemos as coisas boas também. No final das contas, tudo depende
do momento. Eu quero acreditar que isso seja um momento. Uma vad bide* passageira.
Sobre a nuvem negra. Ela continua lá. Aliás,
ela continua aqui e agora. O tempo virou, mas continua abafado. O calor é o
mesmo. Basicamente nenhuma mudança foi feita.
Talvez esse seja o problema. Mudar.
Mas mudar como? quando? Para onde? Eu tenho
mais perguntas que respostas. Talvez esse seja nosso grande problema: pensar
demais em coisas aleatórias. Pensar sobre tudo, racionalizar o não racional.
Tentar achar sentido nas coisas. Não há objetivos. E eu... o que faço com
esses números?
Cada um vive em seu próprio universo. Um universo de esperanças
e expectativas nos move, e isso não deixa que a maré nos leve mesmo quando ela
se fortalece dos nossos pensamentos negativos. A mente é forte, como minha mãe
já diz. O problema é quando sua consciência se torna seu maior inimigo. Vocês
não entram num consenso. Cansei, quero pedir divórcio. Assim ela me deixa em
paz e eu posso viver na completa ignorância.
Queria eu acreditar nesse conceito de felicidade. (aliás, o
que é felicidade? não respondam ainda)
Temos que criar sentido pra nossa vida. Somos forçados a
buscar algo. Amigos, faculdades, emprego, casamento. Convenções sociais que nos
fazem ser alguém, nos fazem ser reconhecido. Quem não quer ser reconhecido? Eu
mesma passei muito tempo achando que o ideal de vida é você (pausa) crescer
para ser alguém. Aquela velha história. Mas ser alguém pra quem?
Essas perguntas - entre outras mil- vão e voltam na
minha cabeça. Elas ficam pra lá e pra cá revezando seu tempo de duração, até eu
cansar e finalmente adormecer. Mas a infeliz da mente, ela não para. Ela batuca
até nos sonhos.
*vad bide é sinônimo de bad vide, segundo o
ka-tet