quarta-feira, 7 de maio de 2014
Carta de redenção (para mim)
Quando eu te vi pela primeira vez você usava uma blusa do lanterna verde, não por acaso a mesma blusa que você usou quando me viu pela primeira vez também. A tão clichê blusa do lanterna verde que junto com outras cinco fazem sua coleção de camisas um armário da Mônica. Então, em meio daquele caos de pessoas apressadas no centro de Niterói, nunca me passaria pela cabeça que aquela pessoa familiar seria meu primeiro grande erro.
Mas também seria a primeira que eu amaria.
E mesmo que algumas pessoas digam que eu estava equivocada em relação ao que eu sentia, eu digo que amei cada encontro que fui a você. Amava seu riso, seu sorriso, sua feição meio marolada, seus olhos desleixados, seu cabelo que espetava quando eu mexia e você odiava. Suas brincadeiras impertinentes. Seu perfume que minha mãe detestava. Amava quando você falava demais sobre um determinado assunto que eu aparentemente não me interessava, e eu apoiava a mão no queixo e fazia cara de buldogue, assim meio blasé, mas no fundo queria apenas te escutar. Amava quando você adormecia e a única coisa que me fazia bem naquele momento era observar você. Não importava como, você estava ali pra mim. Essa última sentença é tão comum porém tão verdadeira quanto o que eu sentia em sua presença.
Fomos rápidos demais.
Você concordou, eu concordei. Eu senti medo.
Medo de um sentimento que eu não sabia explicar de forma racional. Você sempre soube que eu não romantizava as coisas e tenho a inconveniente mania de buscar explicação para tudo. Só que não existiam respostas, não para nós. Todas as experiencias passadas de outras pessoas diziam que isso que a gente tinha não daria certo, por que com a gente daria? mas você me fez prometer, naquele dia, aqui em casa, que eu não deixaria você nunca. E eu perguntava "por que isso iria acontecer?", você sorria com o canto boca, meio cabisbaixo e dizia "não sei".
Porém, uma voz na minha cabeça dizia que um dia aquilo tudo acabaria. Nós acabaríamos. Esse mesmo "nós" que nunca existiu mas ao mesmo tempo estava presente enquanto estávamos juntos. Eu sempre soube que você seria o primeiro a abandonar o barco, só não imaginava que seria tão repentino. Achei que existiria aquele momento de aceitação, que eu deixaria você ir porque é o justo. Nunca quis cobrar nada de você - além da verdade -, porque tanto eu quanto você somos livres pra fazer nossa escolha. E nossos caminhos traçariam caminhos diferentes, como o destino quisesse que fosse.
Eu me mostrei vulnerável pra você. Tu me conheceste da forma mais crua e nua...
Só que na minha realidade inventada você nunca seria capaz de quebrar meu coração.
Você o fez.
Quando você partiu meu coração estava remendando o seu? Achou mesmo que todo aquele muro de concreto que eu mesma criei duraria pra sempre?
Não quero respostas.
Nosso tempo acabou.
Eu não quero te culpar. Não quero sentir raiva. Qualquer sentimento em relação a você me faz sentir uma tola. Só peço a mim que chegue logo a fase em que eu tiro uma lição de moral dos tropeços da vida. Quem sabe assim eu não olho pra trás e lembro com um meio sorriso dos momentos engraçados que passamos. A indiferença finalmente já pode tomar o meu lugar.
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