Lá estava eu no ponto de ônibus, numa
manhã de domingo ensolarada.
Eu poderia estar dormindo
Poderia, mas não deveria
Nem queria
O clima estava agradável, até para um
passeio.
Passam todos os ônibus, menos o meu. Eu
não me incomodo. Volto a pensar que o dia realmente está bonito para um
passeio. Quanto tempo eu não sentia isso? Sei lá, muito.
Pela primeira vez em pelo menos dois
anos não estou detestando andar por Niterói.
Há poucas pessoas na rua.
Pego o ônibus vermelhinho, mas dessa
vez o destino era a praia vermelha.
Sinto o cheiro de orla. Boas
lembranças. A existência é mesmo uma coisa estranha. Chego no meu destino e
havia mais gente do que eu esperava. Sentei-me no chão mesmo, e contemplei a
paisagem pela primeira vez naquele lugar. Paz.
Eu estou me sentindo bem,
verdadeiramente.
Sinto que eu posso tomar as rédeas da
minha própria vida. Sigo meu ritmo. Esqueço o passado. Eu havia me
libertado da mais doce solidão.
Reconciliar? Reatar? Refazer? Renascer.
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